Propostas Econômicas
1. Plano Cearense de Desenvolvimento Regional
Defender um plano econômico específico para cada região do Ceará, identificando suas vocações, necessidades e cadeias produtivas.
O planejamento deverá contemplar:
- Sertões de Crateús e dos Inhamuns;
- Sertão Central;
- Maciço de Baturité;
- Cariri;
- Centro-Sul;
- Vale do Jaguaribe;
- Serra da Ibiapaba;
- Litoral Leste e Oeste;
- Região Metropolitana de Fortaleza.
Cada território terá metas de emprego, formação profissional, infraestrutura, crédito, inovação e apoio aos pequenos negócios. O objetivo é diminuir a concentração econômica na capital e impedir que o desenvolvimento fique restrito a poucos municípios.
2. Crédito acessível para quem mais precisa
Ampliar o Ceará Credi, que já alcançou mais de 100 mil pequenos negócios, assegurando linhas específicas para:
- mulheres;
- juventude;
- população negra;
- pessoas com deficiência;
- comunidades indígenas e quilombolas;
- trabalhadores informais;
- agricultores familiares;
- cooperativas;
- empreendedores culturais;
- pequenos negócios do interior.
Além do empréstimo, o programa deverá oferecer assistência técnica, educação financeira, apoio contábil e acompanhamento do empreendimento. Crédito sem orientação pode transformar oportunidade em endividamento. .
3. Agência Cearense de Desenvolvimento e Fomento
Propor ao Governo a criação de uma instituição estadual de fomento, utilizando recursos públicos, fundos constitucionais e parcerias com bancos públicos para financiar projetos estratégicos.
A prioridade deverá ser:
- pequenas e médias empresas;
- cooperativas;
- agricultura familiar;
- economia verde;
- inovação tecnológica;
- cultura;
- turismo comunitário;
- recuperação de áreas degradadas;
- empreendimentos que gerem empregos no interior.
A instituição deverá atuar com transparência e não poderá servir para financiar grupos empresariais que já possuem amplo acesso ao mercado financeiro.
4. Incentivo fiscal com emprego e contrapartida social
Fiscalizar e reformular a política de incentivos fiscais do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará.
Toda empresa beneficiada deverá apresentar compromissos verificáveis de:
- criação de empregos permanentes;
- remuneração digna;
- respeito aos direitos trabalhistas;
- contratação de trabalhadores locais;
- inclusão de mulheres, jovens, pessoas negras e com deficiência;
- aquisição de produtos de fornecedores cearenses;
- proteção ambiental;
- permanência mínima no Estado;
- transparência sobre os benefícios recebidos.
Empresas que descumprirem as contrapartidas deverão perder o incentivo e devolver os valores correspondentes, respeitado o devido processo legal.
5. Portal da Transparência dos Incentivos Fiscais
Criar um painel público com informações sobre:
- empresas beneficiadas;
- valor estimado da renúncia fiscal;
- duração do benefício;
- empregos prometidos e efetivamente criados;
- salários médios;
- municípios beneficiados;
- impactos ambientais;
- cumprimento das contrapartidas.
A população precisa saber quanto o Estado deixa de arrecadar e qual retorno econômico e social recebe.
6. Programa Compre do Ceará
Ampliar a participação de microempresas, cooperativas, agricultura familiar e empreendimentos solidários nas compras governamentais.
O programa poderá reservar, nos limites permitidos pela legislação, parcelas das compras públicas para fornecedores locais, especialmente em áreas como:
- alimentação escolar;
- mobiliário;
- confecções;
- material de limpeza;
- tecnologia;
- manutenção predial;
- produção cultural;
- alimentos de comunidades tradicionais.
O poder de compra do Estado deve ajudar a movimentar a economia cearense.
7. Fortalecimento da agricultura familiar
Ampliar o Fundo Estadual de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e garantir:
- assistência técnica permanente;
- sementes adaptadas ao Semiárido;
- cisternas e tecnologias de reuso da água;
- energia solar para pequenos produtores;
- mecanização apropriada;
- acesso à internet;
- recuperação de solos;
- pequenas agroindústrias;
- certificação sanitária simplificada;
- apoio à comercialização.
Também defenderei o fortalecimento do Programa de Aquisição de Alimentos e da compra de produtos da agricultura familiar para escolas, hospitais, presídios e equipamentos de assistência social.
8. Agroindústrias cooperativas no interior
Criar polos regionais de beneficiamento para que o produtor não seja obrigado a vender apenas a matéria-prima por preços baixos.
Essas estruturas poderão beneficiar:
- leite e derivados;
- castanha de caju;
- mel;
- frutas;
- mandioca;
- milho;
- feijão;
- pescado;
- carne de pequenos animais;
- produtos da carnaúba;
- café do Maciço de Baturité;
- banana e outras culturas serranas.
O Estado poderá oferecer infraestrutura, assistência técnica e apoio sanitário, mantendo a gestão nas mãos de cooperativas e associações locais.
9. Economia solidária como política de Estado
Fortalecer cooperativas, associações, bancos comunitários, fundos rotativos e redes de produção solidária.
Proponho:
- centros públicos de economia solidária;
- feiras permanentes;
- apoio jurídico e contábil;
- incubadoras em parceria com universidades;
- financiamento para equipamentos;
- plataformas digitais de comercialização;
- participação nas compras públicas.
A economia solidária já integra a estrutura da Secretaria do Trabalho e precisa receber orçamento compatível com sua importância.
10. Trabalho decente e combate à informalidade
Criar o Programa Ceará do Trabalho Decente, articulando fiscalização, qualificação e incentivos para reduzir:
- informalidade;
- trabalho infantil;
- trabalho análogo à escravidão;
- acidentes e doenças ocupacionais;
- assédio moral e sexual;
- desigualdade salarial;
- contratação precária por falsas pessoas jurídicas.
Empresas que violarem gravemente direitos trabalhistas não deverão receber incentivos, contratos ou financiamentos estaduais.
11. Qualificação ligada a empregos reais
Reorientar a formação profissional para que os cursos sejam definidos a partir das necessidades de cada região, e não apenas por pacotes padronizados.
As áreas prioritárias deverão incluir:
- tecnologia da informação;
- energias renováveis;
- indústria;
- construção e manutenção;
- saúde e cuidado;
- turismo;
- audiovisual;
- agricultura sustentável;
- logística;
- mobilidade ferroviária;
- economia do mar;
- restauração ambiental.
O programa deverá acompanhar quantas pessoas concluíram os cursos e quantas conseguiram trabalho ou abriram empreendimentos sustentáveis.
12. Primeiro emprego para a juventude
Ampliar programas estaduais de aprendizagem, estágio e primeiro emprego, exigindo contrapartidas das empresas beneficiadas pelo Estado.
Proponho:
- bolsas de formação;
- incentivo à contratação com carteira assinada;
- reserva de oportunidades para jovens de escolas públicas;
- prioridade para jovens negros, indígenas, quilombolas e com deficiência;
- acompanhamento durante o primeiro ano;
- apoio ao transporte e à alimentação;
- combate a estágios que substituem empregos formais.
13. Polos públicos de economia criativa
Criar polos regionais para música, teatro, dança, literatura, artesanato, design, moda, fotografia, audiovisual, jogos digitais e produção de conteúdo.
Os polos deverão disponibilizar:
- estúdios e salas de ensaio;
- equipamentos compartilhados;
- internet de alta velocidade;
- formação técnica;
- editais simplificados;
- assessoria jurídica;
- apoio à circulação das produções;
- espaços de comercialização.
Cultura também é trabalho, renda, identidade e desenvolvimento econômico.
14. Turismo comunitário, cultural e sustentável
Diversificar o turismo cearense para além das praias mais conhecidas, fortalecendo:
- turismo comunitário;
- turismo rural;
- roteiros indígenas e quilombolas;
- patrimônio histórico;
- serras;
- sítios arqueológicos;
- geoparque do Araripe;
- festas populares;
- gastronomia;
- turismo científico e de observação da natureza.
Os investimentos deverão beneficiar diretamente moradores, guias, artesãos, pequenos restaurantes, pousadas familiares e produtores culturais, evitando expulsão das comunidades e privatização de áreas públicas.
15. Reindustrialização verde do Ceará
Defender uma política industrial voltada à produção de:
- equipamentos para energia solar e eólica;
- componentes ferroviários;
- ônibus elétricos;
- sistemas de armazenamento de energia;
- equipamentos hospitalares;
- medicamentos;
- alimentos processados;
- máquinas para agricultura familiar;
- tecnologias de dessalinização e reuso da água.
A transição energética não pode limitar-se à exportação de energia. O Ceará precisa fabricar equipamentos, desenvolver tecnologia e formar seus próprios trabalhadores.
16. Hidrogênio verde com soberania e benefícios locais
Apoiar investimentos em hidrogênio verde apenas quando houver:
- estudo sobre o consumo de água;
- proteção das comunidades;
- consulta aos povos tradicionais;
- licenciamento ambiental rigoroso;
- contratação de trabalhadores cearenses;
- transferência tecnológica;
- participação das universidades públicas;
- industrialização no território;
- transparência dos contratos.
Não devemos trocar a dependência do petróleo por uma nova dependência tecnológica e econômica.
17. Economia do mar com proteção ambiental
Criar uma política para pesca artesanal, aquicultura sustentável, construção e reparo naval, pesquisa oceanográfica, turismo e proteção costeira.
A política deverá combater a pesca predatória e garantir direitos às comunidades pesqueiras, marisqueiras e povos do mar ameaçados pela especulação imobiliária e por grandes empreendimentos.
18. Ciência, tecnologia e soberania digital
Ampliar os recursos para universidades estaduais, Funcap, institutos tecnológicos e centros de pesquisa.
Proponho:
- bolsas para pesquisadores;
- financiamento de startups e cooperativas tecnológicas;
- laboratórios públicos regionais;
- programas de inteligência artificial voltados a problemas sociais;
- apoio à produção de softwares livres;
- proteção dos dados dos cidadãos;
- compras públicas de tecnologia desenvolvida no Ceará.
O Estado não deve apenas consumir tecnologias produzidas fora. Deve criar conhecimento, empregos qualificados e soluções próprias.
19. Internet pública e inclusão digital
Defender internet de qualidade para escolas, unidades de saúde, comunidades rurais, distritos, assentamentos, aldeias indígenas e territórios quilombolas.
Também proponho centros comunitários de inclusão digital, com computadores, capacitação e acesso gratuito, porque hoje conexão à internet é condição para estudar, trabalhar, vender e acessar serviços públicos.
20. Infraestrutura para integrar o Ceará
Defender investimentos em:
- recuperação de estradas estaduais;
- transporte público metropolitano;
- expansão de metrôs, VLTs e trens;
- integração entre Fortaleza, Região Metropolitana e interior;
- terminais de carga;
- saneamento;
- infraestrutura hídrica;
- internet pública.
A infraestrutura deverá atender à população e ao desenvolvimento regional, não apenas ao transporte de mercadorias de grandes grupos econômicos.
21. Mobilidade ferroviária como política econômica
Defender estudos e investimentos para recuperar ligações ferroviárias regionais, incluindo eixos entre Fortaleza, Sobral, Camocim, Crateús, Quixeramobim, Iguatu e Juazeiro do Norte.
Ferrovias podem:
- reduzir custos de transporte;
- estimular o turismo;
- diminuir acidentes rodoviários;
- gerar empregos industriais;
- integrar municípios;
- reduzir emissões de carbono;
- criar novas centralidades econômicas.
22. Economia do cuidado
Criar uma política estadual de valorização da economia do cuidado, reconhecendo o trabalho realizado por mulheres, familiares, cuidadoras e profissionais da assistência.
Proponho ampliar:
- centros-dia para pessoas idosas;
- serviços para pessoas com deficiência;
- apoio às famílias de crianças autistas;
- formação e certificação de cuidadores;
- equipamentos de educação infantil;
- cooperativas de profissionais do cuidado;
- proteção trabalhista nos contratos estaduais.
Investir no cuidado gera empregos e permite que milhares de mulheres retomem estudos, trabalho e participação social.
23. Programa Ceará sem Fome integrado à produção local
Relacionar as políticas de combate à fome com a agricultura familiar, cozinhas solidárias, bancos de alimentos e pequenos produtores.
O Estado poderá comprar alimentos produzidos localmente e distribuí-los por meio de restaurantes populares, escolas, hospitais e redes comunitárias. Assim, combate-se a fome enquanto se gera renda no território.
24. Reforma tributária estadual socialmente justa
Defender, na regulamentação dos tributos estaduais e da reforma tributária nacional:
- desoneração efetiva da cesta básica;
- proteção às micro e pequenas empresas;
- tributação ambiental sobre atividades altamente poluidoras;
- combate à sonegação;
- revisão periódica dos benefícios fiscais;
- devolução de parte dos tributos às famílias de baixa renda;
- simplificação sem perda de direitos sociais.
A arrecadação deve recair menos sobre o consumo básico das famílias e mais sobre atividades com maior capacidade econômica e impacto ambiental.
25. Orçamento regionalizado e participativo
Criar mecanismos para que cada região conheça quanto recebe do orçamento estadual e possa participar da definição das prioridades.
O orçamento deverá apresentar os investimentos por município, região e política pública, permitindo avaliar se os recursos estão reduzindo ou reproduzindo desigualdades.
26. Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social
Defender um conselho permanente com participação de:
- trabalhadores;
- pequenos empresários;
- cooperativas;
- universidades;
- agricultura familiar;
- povos indígenas e quilombolas;
- setor cultural;
- organizações ambientais;
- movimentos populares;
- entidades empresariais.
O desenvolvimento não pode ser decidido apenas em reuniões fechadas entre governo e grandes investidores.
Comentários
Postar um comentário