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Mostrando postagens de junho, 2026

Praça Luíza Távora: desenvolvimento para quem e a que custo?

  Recebo com preocupação as informações de que parte da Praça Luíza Távora poderá ser impactada pelas obras da futura estação do metrô. Se as denúncias apresentadas por ambientalistas e moradores se confirmarem, estaremos diante de mais um episódio que revela uma contradição recorrente em muitas cidades brasileiras: a falsa escolha entre mobilidade urbana e preservação ambiental. Quero deixar claro desde o início que sou favorável à expansão do transporte público de qualidade. Fortaleza e sua região metropolitana precisam de mais metrô, VLTs, corredores de ônibus e alternativas sustentáveis ao transporte individual. O combate aos congestionamentos, à poluição e às desigualdades de acesso à cidade passa necessariamente pelo fortalecimento do transporte coletivo. O problema surge quando uma obra concebida para melhorar a qualidade de vida acaba comprometendo justamente aquilo que torna a cidade mais humana. A Praça Luíza Távora não é apenas um terreno vazio disponível para inte...

Programa Ceará de Leitura e Bibliotecas Comunitárias

  Objetivo Reconhecer as bibliotecas comunitárias como equipamentos culturais e educacionais estratégicos para o desenvolvimento social, cultural e humano dos bairros periféricos, comunidades rurais, quilombolas, indígenas e assentamentos. Principais propostas 1. Lei Estadual de Reconhecimento das Bibliotecas Comunitárias Criar um cadastro estadual das bibliotecas comunitárias, garantindo reconhecimento oficial e acesso a editais específicos. Muitas bibliotecas funcionam hoje graças ao esforço voluntário de moradores, educadores e coletivos culturais, mas sem apoio permanente do poder público. 2. Fundo Estadual de Apoio às Bibliotecas Comunitárias Destinar recursos anuais para: Compra de livros Equipamentos de informática Mobiliário Internet gratuita Pequenas reformas Acessibilidade para pessoas com deficiência 3. Bolsa Agente de Leitura Comunitária Criar bolsas para jovens, educadores populares e mediadores de leitura ...

Universidade Indígena: um passo histórico para descolonizar o conhecimento

  Recebi com entusiasmo a notícia da criação da Universidade Indígena pelo Governo Federal. Em um país que durante séculos tentou silenciar, invisibilizar e assimilar os povos originários, a iniciativa representa mais do que uma política educacional. Ela possui um profundo significado histórico, cultural e político. Ao mesmo tempo, considero fundamental que a proposta seja analisada criticamente para que não se transforme apenas em um gesto simbólico, mas em uma verdadeira ferramenta de transformação social. A história do Brasil é marcada por uma enorme contradição. Enquanto celebramos a diversidade cultural em discursos oficiais, frequentemente ignoramos que os povos indígenas continuam enfrentando invasões territoriais, violência, discriminação, precariedade nos serviços públicos e dificuldades de acesso à educação superior. Durante muito tempo, a escola e a universidade foram utilizadas como instrumentos de assimilação cultural. Em vez de reconhecer e valorizar os saberes in...

A Chapada do Araripe não está à venda: defender esse patrimônio é defender o futuro

  Recebi com profunda preocupação as notícias sobre a ameaça à Chapada do Araripe. A possibilidade de áreas desse território singular serem sacrificadas para o plantio de soja me parece não apenas um equívoco ambiental, mas uma afronta ao patrimônio natural, científico e cultural do Brasil. Diante disso, sinto a necessidade de dizer com clareza: a Chapada do Araripe não está à venda. Quando penso no Araripe, não penso apenas em uma formação geológica. Penso em um dos maiores tesouros ecológicos do Nordeste e do planeta. A Chapada é um encontro raro entre Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. É berço de fontes de água que desafiam a lógica da aridez sertaneja. É um arquivo vivo da história da Terra, guardando fósseis do período Cretáceo que ajudam a compreender a evolução da vida há milhões de anos. Destruir esse patrimônio em nome da expansão agrícola é como arrancar páginas insubstituíveis do livro da natureza. Não sou contrário à agricultura. O Brasil possui enorme vocação ag...

O transporte público como direito: reflexões sobre o novo Marco Legal do Transporte Coletivo

  Confesso que recebo com esperança a sanção do novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo. Em um país onde milhões de pessoas dependem diariamente de ônibus, metrôs, trens e VLTs para trabalhar, estudar e acessar serviços básicos, qualquer debate sobre mobilidade urbana é, antes de tudo, um debate sobre cidadania. Afinal, quem não consegue se deslocar pela cidade também encontra obstáculos para exercer direitos fundamentais. Durante décadas, o transporte público brasileiro foi financiado por um modelo que considero profundamente injusto: o usuário pagava quase sozinho pelo sistema. Essa lógica criou uma espécie de círculo vicioso. Tarifas altas afastavam passageiros; com menos usuários, aumentavam os custos; e, para compensar, as passagens subiam ainda mais. O resultado foi a perda de competitividade do transporte coletivo, o crescimento do uso do automóvel e da motocicleta e o agravamento dos congestionamentos, da poluição e das desigualdades urbanas. Por isso, vejo como...